O NATAL EM PALAVRAS E ATOS
23 de dezembro, 2025
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MAIS

Mais do que vestir branco, renovar o modo de agir e de pensar, eliminando o que não for bom para o corpo e para a mente. Mais Cecília Meireles: “A vida só é possível reinventada”.

Mais do que esvaziar garrafas de champagne, lembrar de hidratar os hábitos ressacados pelo tempo e envelhecidos no porão da alma.

Mais do que o abraço calculado, comedido e frio, o encontro de dois corpos de pessoas que se querem bem e sentem em cada parte dos músculos a energia um do outro.

Mais do que a mensagem protocolar com fotos de rojões e praias lotadas, um mar de solidariedade (“Neste ano que se inicia, conte comigo!”), de compaixão (“O que posso fazer pra ajudar você?”) e de aproximação (“Estou com saudade… vamos nos ver?”).

Mais, porém, do que bondade, sabedoria para distinguir amigos de aproveitadores – porque, entre estes, mesmo fazendo o melhor, você não será suficiente; entre aqueles, só de estar ali, sua presença já será celebrada.

Mais do que o silêncio, palavras que confirmem o que o olhar já disse – amor é como imposto de renda: a gente tem que declarar!

Mais do que promessas vãs do 31 de dezembro, a iniciativa para que elas tenham início, já na manhã que desponta com o sol tingindo as nuvens.

Mais do que simplesmente ouvir as histórias do amigo, torcer de coração para que ele alcance o que deseja.

Mais do que sonhos, a reflexão séria sobre a possibilidade de eles virem a ser realidade.

Mais do que o barulho, a boa música; do que a maledicência, a conversa edificante; do que a discussão, o diálogo; do que o dia vazio, um bom livro ou um bom filme; do que a distância, a procura pelo outro.

Mais do que as lágrimas de tristeza, as lágrimas de felicidade, por qualquer motivo.

Mais e maiores do que as alegrias que você teve em 2025, eu, de coração, lhe desejo as de 2026!

E agradeço por tudo de bom que você me trouxe.  

Feliz Ano Novo!

 

Vítor França Galvão
Vítor França Galvão
Ariano, professor de português e cronista, é fã de Rubem Braga, Cecília Meireles e Graciliano Ramos (na literatura), de Bruce Springsteen (na música) e Bette Davis e William Holden (no cinema). Gay desde sempre, adora chocolate, filmes clássicos e viagens - principalmente para San Francisco, na Califórnia. Ama seus irmãos e amigos e não dispensa boas e animadas reuniões com eles. Escreve como forma de tentar entender melhor as pessoas e a vida.

2 Comments

  1. Professor, que maravilha de Crônica! Hoje recebi um vídeo, e ao final dele o protagonista encerra com apenas uma frase: “simples assim.”.
    Obrigado pela amizade, pelo carinho e pela paciência – obrigado por tudo.

  2. Angelo Antonio Pavone disse:

    Olá Prof Vitor
    Maravilha de crônica. Espero ainda ver nestes meus últimos anos pelo menos metade das belas frases que estão na sua crônica se transformem em realidade. Oh Lord…
    Parabéns pela crônica

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